Veículo mais avançado…

Posted on February 19th, 2009 in Bicicleta...,Inglês,Traduções by Frederico

Lido no World Carfree News bulletin:

As pessoas hoje pensam que os automóveis são os veículos mais avançados, mas na cidade é o contrário. Um automóvel é o veículo mais primitivo e a bicicleta o mais avançado!
- Rafael Aharoni, dono de um café em Tel Aviv.

Coisas que um não-ciclista pode não perceber

Posted on October 23rd, 2007 in Bicicleta...,Blogroll,Inglês,Traduções by Frederico

Tradução de um texto de Tanya cujo original se pode ler em:
http://crazybikerchick.blogspot.com

Coisas que um não-ciclista pode não perceber

Parte I: Carta aberta para os motoristas que não gostam de ciclistas.

Eu utilizo a bicicleta como o meu principal meio de transporte ao longo de todo o ano. A minha bicicleta não é um brinquedo. Não desejo vir a ser o Lance Armstrong. Não sou demasiado pobre para comprar um carro. Escolhi a bicicleta porque é melhor para a minha saúde, e melhor para a saúde da cidade onde vivo. Eu não circulo pelo meio da via de trânsito para te atrasar ou contrariar. Estou simplesmente a tentar fazer o mesmo que tu – ir do ponto A para o ponto B em segurança.

Eu circulo no meio da via porque ela é demasiado estreita para partilhar em segurança. Isto é na realidade um gesto de cortesia para contigo, assim não tens que adivinhar se a largura do teu veículo cabe no espaço livre e, decidir se tens que mudar de via ou não. Se a via ao lado estiver livre, realmente não é necessário que buzines desalmadamente ou praguejes pela janela. Talvez penses que há espaço para que eu vá pelo berma, mas eu tenho uma melhor visão da estrada. A berma está cheia de detritos que me furam os pneus, e buracos que me podem partir os ossos. Eu posso precisar de espaço para guinar de modo a evitar o lixo que alguém atirou pela janela do carro. Se nós chocarmos, nenhum vai ter um bom dia.

Já que falei no tema de praguejar pela janela, o teu veículo faz barulho. A não ser que estejamos os dois parados num sinal, é pouco provável que eu perceba as palavras que estás a dizer. Talvez seja melhor se focares a tua atenção em não bateres em coisas que estão à tua frente do que dizeres “(blá blá) … vais bater”. Também sei onde existem ciclovias, eu tenho um mapa. Mas não existem ciclovias para onde vou. Obrigado ao condutor que parou para me dizer que a minha luz frontal fazia uma grande diferença. É bom saber que alguém gostou.

Eu uso luzes à noite para que me vejas. Circulo numa trajectória previsível para que não sejas surpreendido pela minha presença. Não ziguezagueio junto aos carros estacionados para não te assustar quando saio de trás de um. Desculpa se não me desviei de modo a puderes usar a brecha de 3 carros estacionados como a tua via de ultrapassagem pessoal. Num mundo ideal eu seguiria suficientemente afastado das portas dos carros estacionados de modo a que não fizesse diferença se abrisses a porta de repente quando menos se espera. Mas as ruas da baixa são demasiado congestionadas e não há muito espaço disponível. Portanto, por favor olha antes de abrires a porta. Eu tento fazer com que seja mais fácil para ti ao tocar a campaínha quando te vejo estacionado de modo a que saibas que estou ali. Num mundo com espaço limitado, os ciclistas muitas vezes utilizam o espaço que sobra das vias de estacionamento. Por favor estaciona o mais próximo possível do passeio que consigas.

Podes pensar que andar de bicicleta num chuvada ou tempestade de neve é coisa de malucos. De facto é bastante agradável se estiveres vestido para isso. Mas eu não espero que percebas. Só espero que te lembres que há um ser humano a andar de bicicleta por ali. Acelerar nas poças para fazer a maior onda possível não é engraçado. Ultrapassar demasiado próximo nunca é uma boa ideia, mas numa tempestade de neve, quando as estradas estão escorregadias, por favor deixa todo o espaço que possas.

Mesmo que eu pareça ser um ciclista muito competente e, tu te julgues um condutor competentíssimo, continua a ser uma boa ideia deixar pelo menos 1 metro quando me ultrapassas. Mesmo que não me toques quando passas demasiado próximo, continua a ser assustador ter uma tonelada de aço apenas a centímetros do meu ombro.

Algumas ruas têm ciclovias pintadas. Num mundo ideal, ciclistas e automobilistas seriam capazes de partilhar a estrada sem linhas especiais. Mas após nos terem buzinado uma vez a mais por termos seguido no centro daquela via estreita, ou ultrapassado demasiado próximo ao tentarem partilhar uma, as ciclovias começam a parecer um local de refúgio. Por favor tenta respeitar este refúgio procurando um outro local para estacionar o teu carro quando precisas de ir a correr ao multibanco e, simplesmente não penses em usar este espaço para conseguires ultrapassar o carro que está à espera de uma brecha para virar à esquerda.

Quando virares à direita, lembra-te que a ciclovia está lá e pode haver um ciclista a passar. Por alguma razão a linha de marcação das ciclovias não é continua junto aos cruzamentos, deves entrar nesta via quando queres virar à direita. Lembra-te é que entrar na via não quer dizer invadir. Não me fazes um favor ao esperar para virar à direita deixando a ciclovia livre. Eu não te passarei pela direita se tens o pisca ligado, pois não sei se me estás a ver ou não. Se entrares, eu terei espaço na tua via de tráfego para te ultrapassar pela esquerda e seguir em frente enquanto tu esperas que os peões atravessem a passadeira, etc. Se não entrares, não há espaço para que eu te possa contornar sem problemas.

Lembras-te dos sinais manuais para virar que aparecem no manual de condução? Eu tento usá-los sempre que possível para que saibas o que vou fazer. Apesar de parecer redundante para num Stop quando chegamos a um cruzamento com 4 stops, eu sei que nem todos os ciclistas param. O sinal é uma cortesia para contigo, assim sabes que podes prosseguir pois eu vou parar. Algumas vezes eu preciso ter ambas as mãos no guiador, mas pela minha posição na faixa deves conseguir perceber o que vou fazer. Se estou na via da esquerda isso significa que vou virar à esquerda. Não estou lá simplesmente para apreciar a paisagem. Se também queres virar à esquerda, então deves esperar atrás de mim. Tentar virar à esquerda vindo do lado direito da faixa de rodagem só nos vai pôr em rota de colisão.

Eu tento fazer o meu melhor para adivinhar o que vais fazer a seguir tendo em conta a tua posição na via. Podes ajudar a reduzir a necessidade de adivinhar. Apesar de parecer que o pisca passou de moda, eu realmente aprecio quando é utilizado com antecedência. Isso permite-me posicionar-me de modo a não precisarmos de entrar em conflito.

O mundo não vai acabar se não puderes virar à direita num sinal vermelho. Se houvesse um carro à tua frente, estarias a buzinar caso pretendesses virar à direita? Lá porque eu sou suficientemente pequeno e posso encostar-me de modo a que possas passar, isso não significa que seja seguro fazê-lo. Se o for e eu vir que queres virar à direita (por teres o pisca ligado), eu desvio-me para te deixar passar. Por favor não tentes passar entre mim e o carro que está na outra faixa quando não há espaço suficiente. Andares a martelar a buzina só vai fazer com que ambos nos enervemos.

Eu consigo mover-me mais depressa do que podes pensar. Mesmo que penses que uma bicicleta é demasiado lenta para ser um meio de transporte prático – na baixa de Toronto a maior parte das vezes, incluindo o tempo que gastas para estacionar, eu chego ao destino mais depressa do que tu. Como estavas ansioso para me ultrapassar, não deves ter reparado que te apanhei no semáforo seguinte. Não estamos numa corrida de semáforo a semáforo, portanto se precisares de desacelerar por alguns segundos, isso não é o fim do mundo. Pensa no tempo que eu te faria perder se fosse um carro com todo o seu tamanho a querer virar à esquerda numa rua cheia de trânsito. Se não consegues avaliar a velocidade a que eu vou, por favor erra para o lado da cautela quando quiseres virar à esquerda à minha frente, ou quando queres arrancar do teu estacionamento. Mas se no teu retrovisores vires que estou a acenar na direcção em que te queres mover, isso significa que tens tempo para passar.

Eu agradeço a tua simpatia de me dares a passagem quando não tenho a prioridade. Numa bicicleta é cansativo perder o momentum uma vez e outra a cada sinal de stop. Mas a maioria das vezes é mais fácil se simplesmente seguires. Se páras para me deixares passar meio quarteirão, o carro atrás de ti pode ser surpreendido e bater-te na traseira.

Desculpa se de quando em vez quebro uma regra, que foram escritas tendo em vista os perigos aliados aos automóveis. Eu consigo reduzir a velocidade e verificar um cruzamento sem ter que parar no sinal de stop, porque é duro estar constantemente a perder momentum. Eu sei que isto não é legal, mas é bastante seguro à velocidade de uma bicicleta. Tal como não é legal seguires acima do limite de velocidade, mas eu duvido que os respeites sempre. Por favor tenta não te irritares comigo quando eu não desrespeito a prioridade de ninguém ao mesmo tempo. Se estiveres no cruzamento eu paro. Relembra-te que sou humano e como tal cometo erros. Eu posso não ter reparado no sinal que diz “cuidado o tráfego para norte não pára” quando seguia no que pensava ser um cruzamento com sinal Stop para ambos. Se ambos tentarmos estar atentos ao que o outro está a fazer e tentarmos compensar, os erros que cada um de nós fizer não precisam de se transformar em acidentes. Se me vires a fazer algo perigoso é muito mais provável que eu tenha cometido um erro do que tenha um desejo de morrer!

Se ainda não notaste, existem muitas pessoas a andar de bicicleta pela baixa de Toronto. Muitas pessoas diferentes acham que a bicicleta é útil. Tal como existem condutores sem um pingo de senso comum, também existem ciclistas sem o mesmo senso comum. Eu não sou o Chico da Esquina que viste de bicicleta numa movimentada rua de sentido único em sentido contrário a gozar com o tráfego. Por favor não assumas que eu me vou comportar como o Chico da Esquina. Nem te vingues do Chico da Esquina a buzinar-me aos ouvidos ou a gritar comigo do outro lado da rua, onde nem sequer é possível que esteja no teu caminho. E agradece que o Chico da Esquina não estivesse num carro, senão seria um verdadeiro perigo para toda a gente.

Quando vou de bicicleta eu estou verdadeiramente consciente do que me rodeia. Posso ouvir-te atrás de mim pelo barulho do teu motor. Não precisas de dar uma apitadela para avisar que estás aí. Nunca consigo perceber se estás a tentar-me avisar da tua presença, a tentar dizer olá, a pedir para me afastar ou se estás simplesmente zangado.

Para terminar eu ia dizer que simplesmente queria que me tratasses com o mesmo respeito com que tratas os outros utilizadores da estrada. Mas após reparar na frequência com que os automóveis chocam, eu queria acrescentar um pormenor: Por favor reconhece que os ciclistas são mais vulneráveis. Antes de desejares que eles saiam da estrada lembra-te que estão a ajudar a diminuir os congestionamentos. Quando tiveres dúvidas sobre o que deverias fazer a seguir, deixa o utilizador mais vulnerável passar. E lembra-te que deixar espaço ajuda a aumentar a segurança nas estradas, quer isso seja mais meio metro quando passas um ciclista ou meio metro quando paras atrás do carro à tua frente. Quando todos trabalhamos em cooperação nas estradas ao invés de competirmos, todos nós podemos chegar ao destino um bocadinho menos stressados.

Obrigado! E obrigado aos motoristas que já perceberam isto! Obrigado por esperarem antes de abrir a porta! Obrigado por deixarem espaço suficiente quando ultrapassam! Obrigado por esperarem pacientemente quando não é seguro ultrapassar! Obrigado por sinalizarem as manobras! Obrigado por respeitarem os limites de velocidade que fazem com que as nossas estradas sejam ligeiramente mais sãs para viajar! Obrigado por terem reparado no meu erro e terem evitado a colisão! Obrigado por deixarem espaço para eu entrar após ter esticado o braço indicando que queria mudar para a via de viragem à esquerda! Obrigado por não utilizarem a buzina quando não é necessário! Obrigado por todas as pequenas coisas em que cooperam!