Obesidade – A Epidemia do Século XXI
Excertos de uma entrevista do Setúbal na Rede ao Director Clínico do Hospital Santiago.
O texto termina com o seguinte parágrafo:
No entanto, a prevenção individual deve ser acompanhada por medidas políticas e sociais que fomentam os hábitos saudáveis e tornam as nossas cidades novamente amigas do trânsito não motorizado, melhorando a qualidade de vida urbana e facilitando a actividade física regular.
Quando é que os nossos decisores vão começar a fazer alguma coisa para que as nossas crianças readquiram o hábito da actividade física regular tal como ir de bicicleta para a escola?
Segue alguns pontos que eu destaco:
Obesidade – A Epidemia do Século XXI
Nas últimas décadas do século passado assistiu-se em Portugal a um marcado progresso económico e social. Este progresso teve grande impacto nas condições de vida da população.
Por um lado, a melhoria das condições sanitárias e dos Serviços de Saúde permitiu um aumento da esperança de vida à nascença que atinge hoje em dia os 74,9 anos no sexo masculino e os 81,4 anos no sexo feminino. Por outro lado, o sedentarismo e o livre acesso a bens alimentares de elevado teor calórico provocaram um franco aumento dos índices de obesidade na população portuguesa. A tradicional dieta mediterrânica, considerada saudável e equilibrada, tem vindo a ser substituida pelo fast food, característico das sociedades modernas ocidentais que adoptam um estilo de vida “apressado”.
Segundo dados publicados em 2006, mais de metade da população portuguesa entre os 18 e 65 anos sofre de excesso de peso ou obesidade. A gravidade do excesso de peso pode ser estimada pelo índice de massa corporal (IMC, corresponde ao peso em kg divido pela altura em metros ao quadrado). Um IMC superior a 30 kg/m2 corresponde a uma situação de obesidade de grau I, um IMC superior a 35 kg/m2 ao grau II e um IMC supeiror a 40 kg/m2 ao grau III. Actualmente, cerca de 180.000 portugueses apresentam já uma obesidade de grau II ou III com um risco de doença associada considerado grave ou muito grave.
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Apesar da obesidade mórbida não ser curável por tratamentos não cirúrgicos, é possível tomar medidas preventivas, o que se torna particularmente importante em crianças e adolescentes. Estas medidas preventivas devem incluir uma alimentação saudável baseada em legumes, fruta, cereais integrais, frutos secos, gorduras vegetais não saturadas (p. ex. azeite), peixe, e pouca carne, bem como exercício físico de intensidade moderada, mas regular (30 minutos diários, p. ex. um passeio a pé ou de bicicleta). No entanto, a prevenção individual deve ser acompanhada por medidas políticas e sociais que fomentam os hábitos saudáveis e tornam as nossas cidades novamente amigas do trânsito não motorizado, melhorando a qualidade de vida urbana e facilitando a actividade física regular.
Hans Eickhoff – 23-10-2007 16:22
